Dell

sábado, 19 de março de 2011

Japão: "Destruiação Criadora"


Estou acompanhando apreensivo o grande desastre que sofreu o Japão, país de cultura milenar. Acompanhei os jornais televisivos e li algumas matérias na internet. A destruição é algo que espanta. Entre mortos e desaparecidos temos 18 mil pessoas, os prejuízos são incalculáveis. Mas a respeito dessa catástrofe, dois aspectos chamam a atenção: a política de energia nuclear e a reconstrução do país.
Em relação ao primeiro, fiquei espantado com a matéria que li no dia 16 passado (para ler a matéria clique aqui) onde a Wikileaks noticia que o Deputado Japonês, Kono, um dos principais líderes do Partido Liberal-Democrata, em 2008, havia afirmado em documento endereçado à Embaixada Japonesa, que o Ministério da Economia, Comércio e Indústria sonegava e selecionava informações sobre o setor nuclear daquele país para encaminhamento ao parlamento. Isso leva a crer que poucos são os que sabem da real situação de perigo que correm as pessoas que atualmente moram nas redondezas dos reatores danificados.
Entre as informações, o deputado demonstra forte preocupação com a destinação dos resíduos nucleares japoneses, pois o país não dispõe de local para armazenamento permanente deste. Outra preocupação do líder político são os armazenamentos temporais relacionados com a forte atividade sísmica no país poderia causar a contaminação das águas subterrâneas em caso de terremotos. Então não é de hoje que se sabe o risco que todos corremos com essas políticas nucleares mirabolantes mundo à fora.
Quanto ao segundo, a reconstrução do país é algo que vai se dar de uma forma muito rápida, pois trata-se de um povo cujas maiores virtudes são a disciplina e a paciência. Se por um lado as empresas seguradoras estão contando os bilhões que seguramente estão perdendo com essa catástrofe, as empresas de outros ramos como siderurgia e construção civil estão ávidas para iniciar os trabalhos para reerguer o que foi ao chão.
Não podemos perder de vista que o governo japonês se esforçará ao máximo para que esse processo de reconstrução seja realizado pelas empresas locais, pois se trata de um país com fortes restrições a entradas de empresas estrangeiras. No entanto, é um país desprovido de matérias primas, o que denota uma grande possibilidade de países, como o Brasil, principalmente, ampliarem suas pautas de exportações. O aço brasileiro será um dos principais componentes dessas pautas o que, provavelmente, ampliará o resultado de nossa balança comercial deste ano e de 2012.
Essa catástrofe trouxe uma destruição de proporções inimagináveis. Até hoje o número de mortos não para de subir. Mas o que vemos naquele país é a educação diferenciada. Não se registrou um saque sequer, roubos, nada. Todos esperando pacientemente pela comida, água e outros donativos que demoram a chegar.
Podemos dizer que toda essa tragédia tem um lado bom – se é que isso seja possível. Se por um lado o segmento de seguros levou um grande baque, por outro, indústrias do aço, naval e de equipamentos, construtoras,  entre outras tem a oportunidade de faturar mais e reaquecer a economia japonesa, estagnada há anos. Imaginem quantos carros, barcos, computadores de grande, médio e pequeno porte ficaram imprestáveis, casas e prédios que foram destruídos. Isso tudo terá que ser readquirido e reconstruído. É a verdadeira destruição criadora.

Nenhum comentário: